Masterplan de desenvolvimento regenerativo na Costa do Ceará

Desenvolvimento regenerativo na costa oeste do Ceará

A partir de diagnósticos envolvendo diversas disciplinas, foi possível identificar as características naturais peculiares do território de forma a dar subsídios para o desenvolvimento turístico e imobiliário do lugar baseado em intenções de respeito e valorização de sua vocação. O zoneamento geoambiental, por exemplo, identificou o tabuleiro como unidade predominante, além da planície flúvio-marinha e áreas de preservação, as dunas fixas e eolianitos (cascudo) e a superfície de deflação ativa, que corresponde às áreas de movimentação dos sedimentos.

legenda: 1) Acessos e recursos turísticos; 2) Topografia e potenciais; 3) Zoneamento; 4) Restrições.

A caracterização do território foi fundamental para a proposição de soluções que dialogam e valorizam o lugar, principalmente em relação às suas características naturais, geomorfológicas e climáticas, assim como socioculturais e históricas, a fim de alcançar a regeneração e vitalidade do sistema. Ao mesmo tempo, tornou-se clara a necessidade de propor experiências autênticas de imersão no território e transformação pessoal, com o intuito de proporcionar vivências e novas perspectivas sobre formas mais saudáveis, afetivas, colaborativas e justas de se relacionar com o ambiente e com as pessoas.

O projeto busca construir um legado que contribua para a transformação e o desenvolvimento local, através de práticas conscientes e responsáveis que fortaleçam a vocação do lugar e da aplicação de conceitos e práticas do Desenvolvimento Regenerativo.

Se desenvolvimento é o uso de recursos para aprimorar a qualidade de vida de uma sociedade (Gabel, 2005), as práticas regenerativas se colocam como o próximo passo do desenvolvimento sustentável, aplicando recursos para aprimorar a qualidade de vida e constituir capacidades de regeneração e manutenção das condições necessárias para a evolução dos sistemas vivos, humanos ou não.

legenda: 1) Implantação; 2) Usos.

Sendo assim, as ações humanas no território podem e devem produzir mais energia e recursos do que consomem, de forma a se tornarem catalisadoras da saúde e do desenvolvimento dos lugares onde serão aplicadas. Desta forma, cria-se o potencial para que elas se tornem um legado para a vitalidade do território.

A organização espacial no território, baseada nos diagnósticos multidisciplinares realizados, começa a partir da definição da matriz de usos e distribuição destes no território, e resulta na proposição dos Núcleos Turísticos: Acolhimento, Praia, Tapuio, Lagoa, Floresta, Moradia e Hotelaria. Assim, torna-se possível a proposição de circuitos e rotas de visitação, a fim de roteirizar as experiências dos visitantes de modo a fazê-los interagir com cada especificidade do território.

legenda: 1) Cinturão ambiental; 2) Experiências; 3) Janelas naturais; 4) Integração agroflorestal; 5) Implantação.

O projeto se desenvolve a partir de quatro intenções principais: Cinturão Ambiental, Experiências, Janelas Naturais e Integração Agroflorestal. A partir destas pretende-se alcançar a ativação do território de maneira respeitosa e consciente, de forma que o desenvolvimento turístico e imobiliário da área seja capaz de promover a imersão nas paisagens naturais e proporcionar experiências de conexão e regeneração do território, aprendizados e transformações, em um refúgio totalmente integrado à natureza.

Cinturão Ambiental e Experiências:

As bordas do terreno reúnem as áreas de maior sensibilidade e riqueza ambiental, que correspondem às áreas de APP ao longo dos Rios Tapuio e dos Remédios, além de lagoas, cursos d’água e dunas que enriquecem as paisagens da Barra dos Remédios, e a Reserva Legal. Devido à grande diversidade de paisagens e a biodiversidade presente no território, estas áreas têm o potencial de oferecer experiências turísticas diversificadas e conectadas às especificidades do território.

Janelas Naturais e Integração Agroflorestal:

As áreas ocupáveis no miolo do terreno correspondem aos Núcleos de Acolhimento, Hotelaria e Moradia. Estes estão cercados pelo Cinturão Ambiental, e têm como principal desafio a conexão com as bordas e suas paisagens, biodiversidade e atrativos naturais. Assim, o Sistema de Espaços Livres se coloca como estruturador na organização espacial através dos eixos de conexão das áreas ocupáveis com o Cinturão Ambiental, chamados de Janelas Naturais.

legenda: 1) Cinturão ambiental; 2) Janelas naturais.

Núcleo Acolhimento

legenda: planta núcleo de acolhimento com centro de visitantes e Pavilhão de apoio às atividades das SAFs.

Dessa forma, as Janelas Naturais organizam os espaços livres e determinam a natureza como elemento principal do lugar. A partir do reconhecimento de sua sensibilidade ambiental, pretende-se ocupá-lo com tipologias diversificadas, em diálogo com o meio onde estarão inseridas, fazendo uso de materiais leves, naturais e de fácil aplicação, consolidando a experiência de imersão no território.

Na porção norte/noroeste do terreno, a organização espacial se dá através do eixo viário principal o Núcleo de Acolhimento, três Núcleos de Hotelaria, um associado à antiga sede da fazenda, outro associado ao Núcleo Lagoa e o último associado ao Núcleo Praia, e as conexões com os Núcleos Floresta, Tapuio e Praia.

Núcleo Praia

legenda: planta núcleo Praia

Núcleo Hotelaria

legenda: planta núcleo de Hotelaria Dunas
legenda: planta núcleo de Hotelaria Lagoa
legenda: planta núcleo de Hotelaria Flutuantes

A ocupação na porção central do terreno, por sua vez, consolida o Núcleo Moradia. Sua organização espacial se estrutura através das Janelas Naturais que o conectam com os Núcleos Lagoa, Rio e Floresta. Cada uma delas traz usos e caracteres de ocupação associados à implantação dos pomares agroflorestais (SAF), à realização de esportes e a atividades associadas ao lazer e estar.

Núcleo Moradia

legenda: planta núcleo Moradia