Plano de Mobilidade do Distrito Federal

DISTRITO FEDERAL – BRASÍLIA

Espaço para pessoas em Brasília

Dentre diversos aspectos que permeiam uma cidade sustentável, os modos de deslocamento na mesma certamente conformam uma das principais questões. O planejamento urbano condiciona as práticas de deslocamento – uma cidade mais compacta pode responder melhor aos desafios ambientais, energéticos e contribuir para a mobilidade sustentável – ou, ainda, uma cidade com o plano de mobilidade relacionado estreitamente com o plano diretor de ordenamento territorial possibilita a reversão do modelo em que o uso do automóvel individual tem grande destaque, favorecendo os deslocamentos a pé, em bicicleta e outros modos mais sustentáveis.

O trabalho consistiu na produção de levantamentos e estudos para o diagnóstico da situação atual da mobilidade a pé em todas as 31 regiões administrativas do Distrito Federal, além da elaboração de propostas para fomentar os deslocamentos não motorizados e a conexão com outros modos de transporte público (ônibus e metrô), visando produzir um documento de referência para a Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal com diretrizes que norteiam o Plano de Mobilidade de Pedestres.       

A região do projeto apresenta o desafio de ser configurada por uma malha urbana dispersa e extensiva, pouco propícia aos deslocamentos ativos. As características de monofuncionalidade e poucas áreas mistas no Plano Piloto, a baixa conectividade entre as extensas quadras e a alta concentração de pessoas vivendo distante do centro – área com maior concentração de empregos-, são alguns dos desafios referentes à caminhabilidade e à eficiência da infraestrutura urbana.

A elaboração do Plano de Mobilidade de Pedestres contou com etapas diversas. A última etapa, focada no acesso à rede de transporte coletivo, teve como objetivo a elaboração de uma proposta complementar ao Plano e o indicativo de ações estratégicas, orçamento e a indicação de modelos de rotas pedonais.

Foram identificados os itinerários preferenciais de acesso aos terminais e estações de transporte coletivo do DF. Para propor as melhorias, as diretrizes traçadas visaram criar intervenções no espaço urbano proporcionando maior segurança aos deslocamentos, ampliando a área de abrangência das estações do metrô e terminais de ônibus, a partir da reorganização dos fluxos e de novos traçados cicloviários e de rotas de pedestres acessíveis.

Alguns exemplos de desenho para melhorar as condições de caminhabilidade nos âmbitos das estações e terminais de transporte coletivo foram desenvolvidos, e divididos entre critérios gerais de desenho para os pedestres; elementos redutores de velocidade; e proposta de desenho para os pontos de parada.

A seleção da tipologia de calçada depende do volume de pedestres, dos usos da via e da seção existente. Do ponto de vista do pedestre, os principais critérios para melhoria na caminhabilidade se referem a segurança viária (travessias, velocidade de veículos); atração (permeabilidade, usos mistos e em diferentes horários do dia); calçada (tipologia, material, condições do piso); ambiente (limpeza, poluição sonora, abrigo); mobilidade (dimensão das quadras, rede cicloviária); segurança pública (iluminação, fluxo de pedestres, incidência de crimes).