Jardim Botânico e Parque Zoológico

SÃO PAULO

Ressignificando o Zoo e o Jardim Botânico

O Parque Zoológico de São Paulo, o Zoo Safári e o Jardim Botânico estão inseridos no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), um dos mais significativos remanescentes de Mata Atlântica da Região Metropolitana de São Paulo, com mais de 500 hectares. Visando potencializar as características e qualidades dos locais, a conservação do patrimônio público e ativos ambientais, a diversificação das atividades de uso público, dentre outros fatores, o Governo do Estado de São Paulo objetivou abrir estas áreas para concessão de modo a trazer mais benefícios para o local e sociedade.

O projeto consiste na estruturação do estudo de viabilidade e modelagem técnico-operacional, econômico-financeira e jurídica. A frente técnico-operacional avaliou e definiu as especificidades técnicas do objeto concedido. O estudo dimensiona os aspectos operacionais do projeto, como quadro de pessoal esperado, tecnologia a ser empregada, desafios de engenharia e demais temas pertinentes aos Encargos a serem imputados ao parceiro privado, no âmbito do contrato. A frente econômico-financeira consolidou o estudo técnico-operacional, avaliando a viabilidade econômico-financeira da concessão e definindo os preços contratuais (outorga, tarifa, etc.), estrutura de pagamento e mecanismos de incentivo e seleção para o contrato. A frente jurídica sintetizou todos os demais estudos em um contrato que refletiu os interesses do estado e sociedade com o objeto concedido.

O PEFI está inserido em território dotado de infraestrutura urbana, conectado ao sistema de transporte dos municípios de São Paulo, Diadema e São Bernardo do Campo e próximo a diversos equipamentos públicos, ressaltando sua relevância não apenas como Unidade de Conservação e de preservação da biodiversidade, mas também como ponto estratégico e de referência de escala regional.  

O trabalho abrange um extenso diagnóstico das áreas, abordando uma análise em diversas escalas, permitindo a estruturação de uma síntese onde foram identificados os principais potenciais e desafios das áreas. A relevância no comprometimento com a conservação, a oportunidade de aproximar a população urbana da natureza e de promover experiências singulares, a topografia existente e a oportunidade de se ampliarem as ofertas de serviços e atrativos foram identificados como alguns dos potenciais do projeto. Em contrapartida, a necessidade de modernização frente às demandas contemporâneas de zoológicos e jardins botânicos, os fluxos de acesso e estacionamento, a defasagem na estruturação da visitação e uso dos espaços voltados ao público, conformam alguns dos desafios a serem enfrentados pelo projeto. 

A partir das premissas e conceitos sobre a contemporaneidade do Zoológico e do Jardim Botânico, e apoiando-se na oportunidade de se realizar uma concessão que abarque os dois equipamentos em conjunto, destaca-se o papel conservacionista dessas instituições, como centros de estudos e pesquisas na conservação das espécies da fauna e flora ameaçadas. É por meio do ensino, da pesquisa e da integração e sensibilização da sociedade à conservação dos ambientes naturais que se delineia o conceito futuro dos equipamentos.

legenda: 1) estacionamento; 2) Jardim botânico; 3) área técnica do jardim botânico + ibt; 4) área técnica do zoológico + fundação; 5) zoológico; 6) estacionamento; 7) Zoo safari

Propõe-se, dessa forma, a criação de um Centro de Conservação da Biodiversidade, dividido em dois setores: Setor Fauna (para o Zoológico) e Setor Flora (para o Jardim Botânico).

O Centro de Conservação da Biodiversidade tem como objetivo principal promover o conhecimento sobre a fauna e flora do conjunto do Jardim Botânico e Zoológico, ou seja, significa estar intimamente comprometido em conservar e difundir a importância e a riqueza do mundo natural.

Propusemos a consolidação de um grande eixo articulador da visitação e do uso público. Dessa forma, pressupõe-se uma espinha dorsal por meio do eixo da água que recupera a própria história do Parque Estadual Fontes do Ipiranga e, ao mesmo tempo, potencializa a exploração de novas atividades de uso público integradas tanto à natureza quanto ao entorno urbano.

No Setor Fauna, previmos a organização do plantel em núcleos temáticos, cuja distribuição busca uma variedade de tamanhos e tipos de núcleos. Dessa forma, os temas se apresentam de maneira flexível e com transições graduais por meio da vegetação que naturalmente separam diferentes habitats. Vale destacar que uma das condicionantes determinantes para o desenho é o oferecimento de mais espaços livres aos animais, buscando seu bem-estar e qualidade de vida.

Com relação ao programa de usos proposto, previmos a criação de um eixo ao longo da área do lago, com a implantação de equipamentos de gastronomia com restaurantes, cafés, quiosques de alimentação e áreas de piqueniques, reforçando esse eixo de atividades de uso público integrados à paisagem do lago e à própria implantação das edificações associadas à topografia. Além da implantação de usos voltados a gastronomia e compras, também estão previstos novos atrativos, como o Cinema 4D, teleférico, centro de visitantes e a requalificação de usos existentes, como a enfermaria, lojas, bilheteria e áreas de contemplação, entre outros.

legenda: 1) acesso restrito/ técnico; 2) acesso público/ visitação; 3) acesso público/ visitação safari; 4) núcleos temáticos; 5) vegetação; 6) equipamentos de apoio.

Visando organizar a experiência do visitante ao acessar o Parque Zoológico, propomos unificar o acesso para todos os visitantes permitindo desde o início uma imersão no PEFI, além de solucionar as questões estruturantes da transposição da Av. Miguel Stéfano desde o estacionamento.

Já a praça central compõe não só a nova estrutura de chegada do Zoológico, mas também um ponto essencial para a nova reordenação de fluxos. A partir deste núcleo central, integrado ao desenho da circulação principal, esta área se configura como ponto de apoio e desenvolvimento de novos usos e atividades

O desenvolvimento de um núcleo temático pretende reforçar os conceitos de imersão em habitats naturais (equilíbrio entre fauna e flora); separação a partir de barreiras naturais; espaços mais amplos e livres para o bem-estar animal; e, principalmente, fortalecer a preservação e recuperação ambiental. Para o início da visitação, dentro de cada núcleo temático está associada uma área de transição, na qual o tema é apresentado com o auxílio de materiais audiovisuais e expográficos para fins de educação ambiental. Já as áreas internas do núcleo terão um caráter de praças de serviços temáticas para a exploração de lojas e áreas de alimentação.

O Setor Flora compreende a área do Instituto de Botânica em dois perímetros, sendo eles a Área de Visitação e a Área Técnica. Incorpora-se um novo setor de visitação que abrange a área do Lago das Garças, anteriormente de acesso restrito, configurando assim um eixo de uso público entre o Jardim Botânico e o Zoológico, consolidando uma das principais premissas conceituais. O eixo de visitação principal do Jardim Botânico é potencializado, incorporando novos usos e atrativos, a partir da relocação dos usos de caráter técnico presentes em quatro edificações localizadas na área de visitação.

Dentre as intervenções propostas, está previsto o aprimoramento dos serviços e infraestrutura voltados ao uso público, tais como serviço de alimentação (café e restaurante), biblioteca, praça e espaço de eventos, anfiteatro e palco ao ar livre, jardim de esculturas, entre outros.